Psicóloga iguatuense fala sobre Luta Antimanicomial no mês de maio

O mês de maio no Brasil é marcado pela luta contra os manicômios e seus conceitos, sendo o dia 18 desse mês o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O movimento busca uma atenção mais humana, inclusão social e reabilitação psicossocial à pessoas com deficiência mental. Segundo a psicóloga clínica e psicoterapeuta iguatuense Dra. Samara Lacerda “dentro dessa luta está o combate a ideia de que se deve isolar pessoas com sofrimento mental em nome de pretensos tratamentos e ideias baseadas apenas no preconceitos que cercam a doença mental”. Ainda segundo Samara “como todo cidadão essas pessoas tem o direito à liberdade e direito a viver em sociedade, além do direito a receber cuidado e tratamento sem que para isso tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos”.

O movimento tornou-se mais aguerrido esse ano devido a ameaça de que o retorno dos hospitais psiquiátricos possa fazer parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), devido à Nota Técnica do Ministério da Saúde, publicada em 2019. Embora a notícia tenha sido anunciada esse ano, a luta antimanicomial é antiga e remonta ao século passado.

De acordo com Samara Lacerda “o movimento se inciou no final da década de 70 em pleno processo de redemocratização do país, e em 1987 houveram dois marcos importantes para a instituição do 18 de maio como dia Nacional da Luta Antimanicomial: O encontro dos trabalhadores em Bauru-SP e a Primeira Conferência Nacional de Saúde Mental em Brasília sob o lema de uma sociedade sem manicômios”.

A Reforma Psiquiátrica, institucionalizada pelo estabelecimento da Lei 10.216/2001, iniciou novos modelos terapêuticos no país, visando banir os métodos antigos de confinamento dos pacientes portadores de deficiência mental. No Ceará, antes mesmo da vigência das novas alternativas de tratamento, os profissionais do estado dando um passo à frente, já atuavam pela humanização dos procedimentos. Esse mês acontecem eventos em prol dessa luta em várias cidades, na terra da luz destacam-se as ações em Icó e Fortaleza.

Repórter Fernando Araujo